quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Jair Rodrigues - Filha da filha da Chiquita Bacana (Cassino do Chacrinha...




DE VOLTA  A  1966
Voltando a 1966 devo confessar que foi para mim um ano emblemático, o destino tem seus motivos e razões, e pelas mãos do meu amigo Walter, sessenta dias depois da noite daquele memorável e inesquecível do festival da Record, eu estaria frente a frente com um cara mais do que importante no panorama das artes e que viria a protagonizar seis anos depois a importante missão de representar todos os jurados no FIC Festival Internacional da Canção em defesa de Nara Leão que havia sido afastada da presidência do corpo de jurados por imposição do governo militar, pelo fato de haver criticado o governo e a situação do país.
 O pesquisador Zuza Homem de Mello, em seu livro A Era dos Festivais, uma parábola (2003, Editora 34, p.429), descreve claramente de que maneira os resultados dos Festivais passaram a ser ditados pelos interesses ligados à ditadura militar e enfoca o papel de Roberto Freire no último FIC (Festival Internacional da Canção da TV Globo). “Ao tentar ler no palco do VII FIC um manifesto contra a destituição do júri nacional, Roberto Freire foi violentamente arrastado por policiais, que o levaram a uma sala e o espancaram barbaramente (…) Terminava a Era dos Festivais”.
                        Na noite do mês de Outubro de 1966  eu estava vidrado na tela da tv preto e branco, o Teatro Record superlotado, era a finalíssima do Festival da Música Popular Brasileira, Jair Rodrigues defendendo brilhantemente a Disparada de Geraldo Vandré e Théo de Barros, empatava com a Banda de Chico Buarque, defendida por Nara Leão. Naquela noite mentalizei  meu desejo de ter uma musica gravada por  aquele cantor carismático que empolgava e sensibilizava a todos com seu vozeirão.  Grande Jair Rodrigues! Em 1987 gravei com ele Canto Livre, e Filha da filha da Chiquita Bacana, ambas em parceria com Beto Scala.
                              O mais interessante é que Filha da filha da Chiquita Bacana é uma música que fizemos para a Maria Alcina, ela estava escolhendo repertório e eu pensei : o Braguinha fez Chiquita Bacana, o Caetano fez A filha da Chiquita Bacana, achei que seria oportuno aumentar a família e fazer algo que fosse assim meio alegre, descontraído e um pouco escrachado para a Maria Alcina e ao mesmo tempo criar mais uma personagem para a dinastia e escrevi:,  alô, alô, estou com a corda toda/pegando fogo tô querendo dar/meu coração pra quem chegar primeiro/venha ligeiro não deve esperar!”
                             Mas o Jair também estava escolhendo repertório, o meu parceiro Beto Scala era guitarrista da banda de apoio dele  e lhe mostrou a música que ele ouviu antes mesmo de  mostrarmos a Maria Alcina.
                            Ele ouviu, gostou, não teve dúvida e disse – Eu gravo!
                               A musica foi bem executada durante aquele ano de 87, no período do carnaval o Jair fez todos os programas de TV inclusive o Programa do Chacrinha duas semanas seguidas, e durante o mês de Março inteiro a musica tocava no fundo musical do Programa que a Xuxa apresentava na TV Globo.
                        Vocês já perceberam que tudo comigo aconteceu assim rapidinho rss,  do autógrafo do Roberto Freire até o primeiro festival foram 09 anos,  e 21 anos até conseguir gravar com o Jair Rodrigues.
               Vinte anos após a FILHA DA FILHA DA CHIQUITA BACANA ter sido gravada, em Fevereiro de 2007 a Revista Veja  criou uma aula Interdisciplinar - Língua Portuguesa e Cultura para a sessão VEJA NA SALA DE AULA Guia do Professor
O Brasil em marcha Mostre à garotada por que as músicas de Carnaval foram a trilha sonora do país nos anos dourados  Uma aula de 50 minutos  Marchinhas de Carnaval e cultura brasileira.   Perceber aspectos da cultura nacional presentes nas marchinhas carnavalescas.  Houve um tempo em que marcha era apenas a do “soldado cabeça de papel”. No entanto, entre as décadas de 1930 e 1960, as marchinhas de Carnaval passaram a iluminar “recônditos da alma brasileira”.   São palavras de Roberto Pompeu de Toledo, em seu delicioso Ensaio de VEJA. Com ironia, ele entrelaça análises literárias, políticas e culturais, esboçando o retrato de um país risonho e franco, livre das patrulhas politicamente corretas (expressão que, diga-se, nem existia). Mostre aos adolescentes o alcance de um texto com essas características e revele por que as marchinhas se tornaram a trilha sonora do Brasil dos anos dourados.   Braguinha  e Sartre: o filósofo ficaria surpreso se soubesse que sua doutrina foi citada numa marchinha do compositor brasileiro.
Atividades ; Um bom início é verificar se os jovens conhecem todas as canções citadas no artigo. Vale a pena pesquisar as letras das composições para ampliar a compreensão das ideias de Pompeu de Toledo. Demonstre como ele parte de uma análise pretensamente ingênua e literal das marchinhas para, em seguida, fornecer - sempre com bom humor - informações políticas e culturais sobre o Brasil e o mundo do passado. Um bom exemplo é o de Chiquita Bacana, qualificada na composição como existencialista. É o suficiente para o ensaísta mencionar pensadores como Heidegger e Jean-Paul Sartre, para quem a existência precede a essência. Na passagem sobre a mulata, a filosofia dá lugar a divertidas análises de linguagem, sobre o alcance da expressão “Eu tô aí nessa marmita”. Peça que a moçada liste outros casos que se enquadram nesse entrelaçamento de abordagens.  Conte que Chiquita Bacana foi a matriarca de uma ilustre dinastia - que inclui a filha, feminista de carteirinha, e a neta, sempre “querendo dar seu coração pra quem chegar primeiro”. A filha foi cantada por Caetano Veloso no álbum Caetano... Muitos Carnavais, de 1977, enquanto a neta é a musa do frevo Filha da Filha de Chiquita Bacana!, de Antônio Carlos de Paula e Beto Scala. Sugira uma análise dessas obras nos moldes utilizados na revista. Por exemplo, Caetano informa que a filha de Chiquita entrou “pra Women’s liberation front”. Seria uma indicação de como o idioma inglês estava disseminado na sociedade brasileira, a ponto de marcar presença em nossa música popular?(grifei)   Para terminar, proponha um debate: o Brasil das marchinhas mudou ou ficou com vergonha de mostrar a cara? O racismo explícito desapareceu ou se enrustiu? Que aspectos da vida nacional são celebrados e condenados atualmente? As discussões podem tornar mais explícitas várias mudanças socioeconômicas e de comportamento ocorridas nas últimas décadas. Os estudantes precisam perceber que o país otimista e ingênuo dos anos 1950, pano de fundo das marchinhas, desapareceu - vítima do próprio desenvolvimento capitalista -, dando lugar a uma sociedade mais complexa e dura. Hoje, os netos da mulata, “a que era a tal”, não usam a marcha carnavalesca, e sim o rap, para denunciar a opressão que recai sobre os afro-brasileiros.   Mostre à garotada por que as músicas de Carnaval foram a trilha sonora do país nos anos dourados.  Aula criada pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA  http://veja.abril.com.br/saladeaula/210207/p_08.html.
                               Posso dizer que a nossa música A FILHA DA FILHA DA CHIQUITA BACANA,  cumpriu a sua missão de divulgar cultura e conhecimento    

2 comentários:

  1. Que Belo texto! Uma maravilhosa viagem no tempo e uma aula de arte, história, cidadania e cultura. Que orgulho conhecer alguém tão inteligente! Parabéns, Dr. Antonio Carlos de Paula.

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