quinta-feira, 8 de novembro de 2018

LOUCA LUCIDEZ



LOUCA LUCIDEZ

nas pedras do caminho dessa estrada
que nunca nos leva a nada
vou tentando encontrar
a paz, em toda a sua plenitude
pois conservo a atitude
irreverente de sonhar!

meu rumo é leste, oeste, é sul, é norte,
pra azar da minha sorte vejo o princípio do fim ,
não gosto que ninguém me pise o calo
se mandar calar eu falo,
grito, berro, eu sou assim!

mas se eu chorar
você não me censure
não me culpe, nem procure
compreender minhas razões,
meu canto é duro,
forte, sem receio,
de promessas ando cheio,
quero mais é soluções!
     
eu já levei porrada desse mundo
hoje eu finjo que iludo
a minha louca lucidez,
eu já levei porrada desse mundo
no entanto eu não mudo,
quero minha hora e vez!

IMPREVISÍVEL



IMPREVISÍVEL

ser imprevisível
é minha única previsibilidade.
posso fazer alarido,
posso quedar-me em silêncio,
posso me fazer presente,
posso desaparecer,
e brincar de me esconder,
no lado escuro da rua,
atrás do poste da lua,
ou no voo do beija flor!

posso ser brisa, ou borrasca,
ser a essência, ou a casca,
ser sentimento, ou razão!
ser um cético sonhador
um poético pensador,
um anjo ou pecador,
de ilusões, um pescador
voraz e observador,
desse mundo ao meu redor!

e lá no fio da escada,
ou no topo da espada,
passa boi,passa boiada,
nuvem, estrela, cometa,
e a fusão dos gametas,
determina a existência
tão previsível dos seres,
que se revelam imprevisíveis!

há  mais coisas
entre o tudo e o nada,
do que ousa imaginar
o  lirismo de uma poesia!

e os lábios molhados das ondas,
continuam a beijar a areia da praia!




DEUS PERDOA



DEUS PERDOA ! 
às vezes eu douro a pílula,
derrapo na curva dos devaneios,
e o lirismo à flor da pele,
feito mola, me impele
e faço versos de amor !

às vezes sou contundente,
falo fria e duramente
o que ninguém quer ouvir,
pois afinal, de realidade
todos estão é de saco cheio !
 

mas às vezes é preciso
agitar o movimento,
levantar poeira da memória,
sair do tosco marasmo,
se expressar ou ter um treco,
fazer pensar a cachola,
agitar o tico e o teco,
pois o tic-tac do tempo,
bate inexoravelmente !

às vezes por um social dever,
exponho e canto mazelas,
da terra verde/amarela,
em que os reis da maracutáia
idolatram Macunaíma !

às vezes somente escrevo,
sou petulante, me atrevo,
sem querer dizer mais nada,
por achar que é em vão, é tolice,
mas quando vou ver, eu já disse !

às vezes escondo verdades
nas entrelinhas do tema,
às vezes invento mentiras
para concluir um poema,
mas mentira de poeta,
é sempre uma coisa boa,
também ninguém é de ferro,
mas quer saber, Deus perdoa !






PARAFUSO EM DESENCANTO



PARAFUSO EM DESENCANTO !
 não sei se é certo viver errando,
mas é vivendo que se erra,
não sei se o vento está soprando,
saber de tudo, ah! quem me dera,
saber das folhas que caem no outono,
ou das flores que se abrem na primavera !

não sei se o sol é de ouro,
ou se a ilusão é de prata,
quem jogou tinta azul no universo,
se a correia vem mesmo do couro,
se a esmeralda esverdeou a mata,
se a saudade, quando é grande, mata !

não sei se estou indo ou voltando,
e tanto faz, estou sem destino,
à toa, à esmo, por aí vagando,
evitando as pedras do caminho,
desvendando mistérios imaginados,
resguardados em mágica cartola!
meio aéreo, meio pirado,
meio maluco, meio confuso,
e num descuido descuidado,
acho que perdi um parafuso!
miséria pouca é bobagem,
não há motivo, no entanto,
para tristeza ou pranto,
esta é a minha homenagem
ao parafuso em desencanto !

eu já disse ao analista
doutor muito obrigado
tire o meu nome da lista
finalmente estou curado !




PEDRAS E POETAS



PEDRAS E POETAS

juro que eu não me lembro

do que era pra esquecer,

Janeiro, Julho, Dezembro,

ou as manhãs de Setembro,

cheias de amor e prazer?


juro que eu  me esqueço

do que era pra lembrar,

pois as pedras de tropeço

dos caminhos que conheço,

já trocaram de lugar!


e o incerto da certeza

aflorou em minha mente,

foi o que logo pensei

de uma forma inconsequente!


mas a verdade eu não sei,

foram as pedras que mudaram

ou será que eu mudei?


não se fazem mais  pedras,

e muito menos poetas,

como antigamente!

ÚLTIMA FANTASIA ZÉ ALEXANDRE








ÚLTIMA FANTASIA (Zé Alexandre & AC de Paula)
    FENAC - ETAPA EXTREMA MG  04/08/2018



MINHA CANÇÃO
TRAZ O PERFUME DA INCERTEZA,
SOLIDÃO, DOR E TRISTEZA,
SONHO, PECADO E PAIXÃO,
NOS VERSOS DE UM POETA SUBURBANO
SE ESCONDE, EU NÃO ME ENGANO,
UM CANTADOR DO SERTÃO,
PERDIDO NO CONCRETO DA CIDADE,
QUANDO ME BATE A SAUDADE DO VERDE
CANAVIAL,
ME LEMBRO,  DO AMIGO QUE DIZIA :
“A VIDA É VESTIR FANTASIAS, PÃO E
CIRCO, CARNAVAL”
EU SEI DA SAGA DE UM RETIRANTE,
SEI O SOFRER DO MIGRANTE ENGOLINDO A
SUA TRILHA,
EU SEI DA CALEJADA MÃO DESEMPREGADA
À CAÇA DA ESPERANÇA E AO LEÃO DE CADA
DIA ,
NO DERRADEIRO ENCONTRO COM A
TERRA,  S
SERÁ MINHA FANTASIA UM VELHO PINHO
QUE PLANTEI
NOS SONHOS DE UMA INFÂNCIA TÃO
DISTANTE,
LÁ SE VAI MAIS UM MIGRANTE
QUE SONHOU EM SER UM REI...  
 ôooo
ôoooo   ôooo    ôooo

SEI BEM DA POEIRA DAS ESTRADAS,
MENINAS PELAS CALÇADAS ,
SORRISOS DE OURO E CETIM,
ENCILHEI NA DOR TODOS MEUS SONHOS
E ESSES VERSOS QUE COMPONHO
SAEM MASCADOS ASSIM,
AQUI MEU CORAÇÃO SAIU DO TRILHO,
MEU OLHAR PERDEU O BRILHO,
TANTA SAUDADE DE MIM,
EU TÃO PEQUENO NA CIDADE GRANDE ,
TALVEZ UM DIA EU ME MANDE 
PRO LUGAR
DE ONDE VIM!