quinta-feira, 21 de março de 2019

ALFREDO GOMES - O filme







20/03/2019, 10:00h Reunião no Espaço Crisálida na Vila Mariana, com Olindo Esteves diretor de cinema, Jerê Nunes vídeo maker e diretor de fotografia, Anita Gomes coordenadora de projetos, todos integrantes da Paiol Filmes, Bianca Santana jornalista, escritora, ativista e cientista social, colunista da Revista Cult, e AC de Paula poeta, compositor, e roteirista.

Esta primeira reunião foi o primeiro fruto da semente que foi plantada em 06/12/2018 por ocasião do lançamento do livro Alfredo Gomes, Vida, Vitórias e Conquistas.

Naquela noite no Salão Azul do Clube Esperia em São Paulo, Olindo conversou comigo sobre contar a historia de Alfredo Gomes em um filme baseado no livro.

Alguns dias antes eu havia comentado com um cliente, Rodrigo Ferrari, produtor de filmes comerciais, sobre o lançamento do livro, dizendo a ele que se tratava da história de meu avô explicando que ele foi o primeiro atleta negro brasileiro a participar dos jogos olímpicos, vencedor da primeira São Silvestre, e da maioria das competições das quais participou nos anos 1920.

Rodrigo se interessou pela história e me pediu um exemplar dizendo que apesar de trabalhar exclusivamente com a produção filmes de propaganda, conhecia muitos produtores que poderiam se interessar, pois a história daria um bom filme.
Foi assim, que em pouco mais de dez dias eu tive a certeza de que “Alfredo Gomes” merecia e deveria ser filmado.

Tenho um péssimo ou bom costume, não sei, de me dedicar profundamente para viabilizar o mais rápido possível qualquer tarefa a que me proponho, se me enviam uma melodia para colocar letra, quero deixar a música pronta o mais rápido possível. 

Assim, em Janeiro 2019, feliz com a repercussão e aceitação do livro, bem como com a atenção a ele dispensada pelas mídias escrita e televisiva, comecei a escrever o roteiro.

Escrevi umas 40 páginas  e veio o bloqueio, aliás o questionamento, eu havia mergulhado no trabalho solitário, literalmente preso na minha própria concha até que um dia  resolvi parar. Será que estava ficando bom? E o mais importante, eu não havia conversado mais com o Olindo, será que havia ainda a disposição de fazer o filme, ou tudo teria sido dito pelo calor da emoção no dia do lançamento?
Me questionei sobre a possibilidade de estar escrevendo algo que jamais sairia do papel e eu precisava ter certeza da viabilidade da continuação do projeto, e só havia um meio de saber, perguntando.

Enviei então uma mensagem ao Olindo pelo Messenger:
12/02/2019
BOA TARDE, gostaria de saber se está de pé, a viabilidade do projeto do livro ALFREDO GOMES, inclusive tenho algumas ideias quanto ao argumento e roteiro que carecem da sua apreciação.

A resposta veio no dia seguinte:
13/02/2019
Bom dia, Antonio Carlos!! Está de pé, sim. Vamos marcar uma conversa e pensarmos em formas de viabilizá-lo. Parcerias, apoio, etc. Pensar em potenciais parceiros e ir pra campo. Um abraço!

Feliz com a resposta mergulhei novamente no trabalho para finalizar o roteiro, e é evidente que outras muitas páginas escritas foram amassadas, descartadas e se juntaram às outras amigas que tiveram a mesma sorte.
Enfim terminei a versão do roteiro que achei que poderia enviar para apreciação.

Então enviei para o primo Walter Gomes um e-mail a ser encaminhado para Anita/Olindo:
06/03/2019
Primo
segue em anexo uma adaptação que fiz do livro para apreciação do Olindo,
por favor encaminhe para ele pois não tenho o e-mail dele nem da Anita.

Para minha surpresa a resposta veio no dia seguinte:
07/03/2019
Boa tarde, Antonio Carlos!! Passando pra te dizer que li o roteiro do filme. Gostei muito! Forte e sensível! Vamos marcar reunião na próxima semana?







Devido ao problema de agendas, apenas em 20/03/2019 conseguimos nos reunir para discutir o assunto e ouvir opiniões, em especial a opinião de Bianca Santana, negra e ativista social ligada a movimentos negros.

A questão principal era a “autoridade” de Olindo um diretor branco, ainda que dividindo a direção do filme com o Jerê um negro,  para contar a história de um protagonista negro, escrita por um roteirista também negro.

Este questionamento havia abalado os alicerces de Anita, branca e bisneta do protagonista negro Alfredo Gomes, que ao comentar com uma amiga sobre o projeto do filme viu-se verbal e frontalmente atacada, ouvindo ofensas, vindas na minha opinião,  de uma pessoa negra, racista, e radical.

Nosso bate papo ocorreu em um clima marcado pela cordialidade, amizade, e colocação do ponto de vista de todos, sob uma ótica de transparente lucidez enfocando de uma forma sincera a opinião sobre o assunto em pauta.

Por fim, concluiu-se que pode sim uma equipe composta de negros e brancos, ter autoridade para contar a trajetória de um protagonista negro, neto de escravos nascido onze anos após a abolição, que enfrentou preconceitos que lhes afetaram todas as suas atividades e os seus relacionamentos, e superou as adversidades, venceu desafios e alcançou os seus objetivos.

Infelizmente no que tange a questão racial, os atos e fatos que atingiram Alfredo Gomes há mais de um século estão ainda presentes nos dias atuais em que é inconteste o processo de embranquecimento da negritude.

A opinião de todos é a de que será uma belo filme que merece e precisa ser feito!

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