20/03/2019, 10:00h Reunião no Espaço Crisálida na Vila Mariana,
com Olindo Esteves diretor de cinema,
Jerê Nunes vídeo maker e diretor de fotografia,
Anita Gomes coordenadora de
projetos, todos integrantes da Paiol
Filmes, Bianca Santana jornalista, escritora, ativista e cientista social,
colunista da Revista Cult, e AC de Paula
poeta, compositor, e roteirista.
Esta primeira reunião foi o primeiro fruto da semente que foi
plantada em 06/12/2018 por ocasião do lançamento do livro Alfredo Gomes, Vida, Vitórias e Conquistas.
Naquela noite no Salão Azul do Clube Esperia em São Paulo, Olindo
conversou comigo sobre contar a historia de Alfredo Gomes em um filme baseado
no livro.
Alguns dias antes eu havia comentado com um cliente, Rodrigo
Ferrari, produtor de filmes comerciais, sobre o lançamento do livro, dizendo a
ele que se tratava da história de meu avô explicando que ele foi o primeiro
atleta negro brasileiro a participar dos jogos olímpicos, vencedor da primeira
São Silvestre, e da maioria das competições das quais participou nos anos 1920.
Rodrigo se interessou pela história e me pediu um exemplar
dizendo que apesar de trabalhar exclusivamente com a produção filmes de
propaganda, conhecia muitos produtores que poderiam se interessar, pois a
história daria um bom filme.
Foi assim, que em pouco mais de dez dias eu tive a certeza de
que “Alfredo Gomes” merecia e deveria ser filmado.
Tenho um péssimo ou bom costume, não sei, de me dedicar profundamente
para viabilizar o mais rápido possível qualquer tarefa a que me proponho, se me
enviam uma melodia para colocar letra, quero deixar a música pronta o mais
rápido possível.
Assim, em Janeiro 2019, feliz com a repercussão e aceitação do
livro, bem como com a atenção a ele dispensada pelas mídias escrita e
televisiva, comecei a escrever o roteiro.
Escrevi umas 40 páginas e
veio o bloqueio, aliás o questionamento, eu havia mergulhado no trabalho
solitário, literalmente preso na minha própria concha até que um dia resolvi parar. Será que estava ficando bom? E
o mais importante, eu não havia conversado mais com o Olindo, será que havia
ainda a disposição de fazer o filme, ou tudo teria sido dito pelo calor da
emoção no dia do lançamento?
Me questionei sobre a possibilidade de estar escrevendo algo que
jamais sairia do papel e eu precisava ter certeza da viabilidade da continuação
do projeto, e só havia um meio de saber, perguntando.
Enviei então uma mensagem ao Olindo pelo Messenger:
12/02/2019
BOA
TARDE, gostaria de saber se está de pé, a viabilidade do projeto do livro
ALFREDO GOMES, inclusive tenho algumas ideias quanto ao argumento e roteiro que
carecem da sua apreciação.
A
resposta veio no dia seguinte:
13/02/2019
Bom
dia, Antonio Carlos!! Está de pé, sim. Vamos marcar uma conversa e pensarmos em
formas de viabilizá-lo. Parcerias, apoio, etc. Pensar em potenciais parceiros e
ir pra campo. Um abraço!
Feliz
com a resposta mergulhei novamente no trabalho para finalizar o roteiro, e é
evidente que outras muitas páginas escritas foram amassadas, descartadas e se
juntaram às outras amigas que tiveram a mesma sorte.
Enfim
terminei a versão do roteiro que achei que poderia enviar para apreciação.
Então enviei para o
primo Walter Gomes um e-mail a ser encaminhado para Anita/Olindo:
06/03/2019
Primo
segue em anexo uma adaptação que fiz do livro para
apreciação do Olindo,
por favor encaminhe para ele pois não tenho o e-mail
dele nem da Anita.
Para
minha surpresa a resposta veio no dia seguinte:
07/03/2019
Boa
tarde, Antonio Carlos!! Passando pra te dizer que li o roteiro do filme. Gostei
muito! Forte e sensível! Vamos marcar reunião na próxima semana?
Devido ao problema de agendas, apenas em 20/03/2019 conseguimos nos reunir para discutir o assunto e ouvir opiniões, em especial a opinião de Bianca Santana, negra e ativista social ligada a movimentos negros.
Devido ao problema de agendas, apenas em 20/03/2019 conseguimos nos reunir para discutir o assunto e ouvir opiniões, em especial a opinião de Bianca Santana, negra e ativista social ligada a movimentos negros.
A
questão principal era a “autoridade” de Olindo um diretor branco, ainda que
dividindo a direção do filme com o Jerê um negro, para contar a história de um protagonista
negro, escrita por um roteirista também negro.
Este
questionamento havia abalado os alicerces de Anita, branca e bisneta do protagonista
negro Alfredo Gomes, que ao comentar com uma amiga sobre o projeto do filme
viu-se verbal e frontalmente atacada, ouvindo ofensas, vindas na minha opinião,
de uma pessoa negra, racista, e radical.
Nosso
bate papo ocorreu em um clima marcado pela cordialidade, amizade, e colocação
do ponto de vista de todos, sob uma ótica de transparente lucidez enfocando de
uma forma sincera a opinião sobre o assunto em pauta.
Por
fim, concluiu-se que pode sim uma equipe composta de negros e brancos, ter
autoridade para contar a trajetória de um protagonista negro, neto de escravos
nascido onze anos após a abolição, que enfrentou preconceitos que lhes afetaram
todas as suas atividades e os seus relacionamentos, e superou as adversidades,
venceu desafios e alcançou os seus objetivos.
Infelizmente no que tange a questão racial, os atos e fatos que atingiram Alfredo Gomes há mais de um século estão ainda
presentes nos dias atuais em que é inconteste o processo de embranquecimento da negritude.
A
opinião de todos é a de que será uma belo filme que merece e precisa ser feito!


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