NA QUADRA DA ESCOLA
Depois
que “o meu amigo Noel Vinicius de Holanda!” me abriu as portas e eu passei a existir no
universo dos compositores de musica popular as coisas começaram a fluir. Na
verdade a gente ficava no patamar musical intermediário, pois apesar do talento
e do nosso trabalho ser musical e poeticamente mais esmerado não tínhamos
pedigree que nos guindasse à esfera dos medalhões da MPB, e assim ficávamos
entre eles e os artistas denominados bregas.
FRANCO era um dos contratados do seu
Corumba que ficou com a música ROCK ENREDO (São
Beto & Voltaire) estourada
em todo o Brasil por quase dois anos, já
era tempo dele gravar novamente. Agora vocês imaginem o quanto era difícil para
o diretor artístico (Césare Bevenutti), o produtor (Wilson Miranda), para a gravadora(Continental),
e para o próprio FRANCO escolher uma música para gravar depois de tanto
sucesso. Eles queriam “uma porrada”!
Não tenho ideia de quantas musicas eles ouviram mas sei que foram muitas. Todo
santo dia tinha uma verdadeira romaria
de compositores querendo mostrar música, fora as fitas cassetes que eram
enviadas pelas editoras. Era muito mais concorrido e difícil do que um festival
rs!
Um
dia eu abro o jornal e vejo a manchete “Banda Black Rio na Quadra da Escola da Mangueira”, aquilo me soou feito uma bomba afinal era a musica negra norte americana invadindo
o solo sagrado do reduto do samba, e na hora eu pensei: “Seu Noel vai ter um choque, os meninos da
mangueira, black-samba-rock”, depois lembrei que a frase seria
viável se estivéssemos falando da Vila Isabel rs! Mas olhei novamente a manchete e escrevi “na quadra da escola o som tá diferente/está
pintando ai a nova transação/ o movimento é black / é som importação, everybody ié ié ié...”
Parei
por ai, no dia seguinte era terça feira e eu precisava viajar, vendia embalagem
de papel no Vale do Paraíba desde Jacareí até Barra Mansa RJ, na sexta feira de
volta para São Paulo vi um outdoor de uma marca de óleo para caminhão onde
tinha um cara fazendo sinal de positivo com o dedo e a frase “estamos ai na luta!” Eu até hoje
anoto as ideias em um bloco de papel, as coisas vão pintando e eu vou anotando.
Eu
já tinha varias parcerias a maioria com o Voltaire, que era também parceiro do São Beto e muito bom de violão,
já o meu forte era a poesia, a letra, o
tema, a sacada, assim como o São Beto.
Já na casa do Voltaire com as minhas anotações em mãos, completei o
refrão que ficou “everybody
ié ié ié, alô brother, estamos aí”, ficamos a manhã inteira quebrando
a cabeça até chegarmos ao resultado final,
A
tarde fomos para o casarão da Eduardo Prado, o Franco aparecia todas as tardes
por lá e como estava procurando musica quase sempre estava junto com o produtor
Wilson Miranda. Então fomos mostrar a música
e quando chegamos no refrão o Franco falou:
-É essa!!!”
Foi
um reboliço e no final da tarde na calçada da rua Dona Veridiana BLACK SAMBA
estava literalmente na boca de todo mundo. Foi a minha primeira musica a ser
gravada. Na mesma semana assinamos com a Editora Latino, que era da gravadora
Continental e eu recebi das mãos do Kid Vinil que trabalhava na
editora, o meu primeiro cheque de
adiantamento de direito autoral assinado pelo Vitor Martins que dirigia
a editora.
KID VINIL é o nome artístico de Antônio Carlos Senefonte
(Cedral, 10 de março de 1955), que ficou famoso no rock brasileiro dos anos 80.
É cantor, radialista, compositor e jornalista. Foi vocalista do Verminose,
Magazine, Kid Vinil e os Heróis do Brasil e hoje em dia do seu Kid Vinil
Xperience. Kid Vinil ficou famoso nos anos 80 como
vocalista do grupo Magazine, com as canções "Tic Tic Nervoso" (de
Marcos Serra e Antonio Luiz), "A Gata Comeu", "Sou Boy" e
"Glub Glub No Clube".
No início dos anos 80, havia tocado na
banda Verminose, mais voltada para o punk rock e o rockabilly. Também foi um
dos maiores incentivadores do início do movimento punk paulista, organizando
shows e tocando músicas de bandas de punk rock e pós-punk em seu programa de
rádio.Na TV, participou em 1987 do programa Boca Livre na TV Cultura. Na Band
comanda o programa Mocidade Independente e depois tornou-se VJ da MTV,
participando de programas como Lado B em que apresentava videoclipes de bandas
underground, especialmente do exterior.Voltou com o Magazine em 2000, lançando
um segundo trabalho pela gravadora Trama, o CD "Na Honestidade" em
2002. Encerradas as atividades com o Magazine formou uma nova banda, o Kid
Vinil Xperience em 2005.Em 2008, lançou um livro pela Ediouro Publicações
chamado Almanaque do Rock, que relata a trajetória do rock, começando pelos
anos 50 até os dias de hoje. No momento prepara um outro livro sobre a história
do rock brasileiro.Atualmente, viaja pelo Brasil trabalhando como DJ. Com o Kid
Vinil Xperience lançou em 2010 o seu primeiro CD, Time Was, um disco de covers
de músicas favoritas e obscuras e em 2013 o primeiro DVD, Vinil Ao Vivo,
gravado em 2010 na cidade de Novo Horizonte (SP), pelo selo Galeão, com
interpretações de todos os hits de sua carreira.
Discografia
Como membro do Magazine: Compacto Simples: Soy Boy/Kid Vinil
(1983, WEA/Elektra) / LP: Magazine (1983, WEA/Elektra) / Compacto Simples:
Adivinhão/Casa da Mãe (1983,WEA/Elektra) / Compacto Simples: Tic Tic
Nervoso/Atentado ao Pudor (1984, WEA/Elektra) / Compacto Simples: Glub Glub no
Clube/Sapatos Azuis (1985, WEA/Elektra) / Compacto Simples: Comeu/Crucial
(1985, WEA/Elektra) / Como membro do Kid Vinil e Os Heróis Do Brasil: /
LP: Kid Vinil e os Heróis do Brasil (1986, gravadora 3M) / Disco solo: /
LP: Kid Vinil (1989, RGE) / Como membro do Verminose: / LP: Xu-Pa-Ki
(1995, independente) / Como membro do Magazine: / CD: Na Honestidade
(2002, Trama) / Como membro do Kid Vinil Xperience: / CD: Time Was (2010,
Kid Vinil Records) / DVD: Vinil Ao Vivo (2013, Galeão Discos) / EP: Kid Vinil
Xperience (2014,). http://www.kidvinil.com.br/
VITOR
MARTINS
Em 1973, compôs com Ivan Lins a
canção "Abre alas", gravada pelo cantor no LP "Modo livre",
dando início a uma fértil parceria que viria a ser quase que exclusiva a partir
do disco "Somos todos iguais nessa noite" lançado em 1977. Em 1991 fundou, em sociedade com Ivan Lins,
a gravadora Velas, com o objetivo de registrar novos talentos da música popular
brasileira. O selo foi responsável pelo lançamento de artistas como Guinga,
Chico César, Lenine e Belô Veloso, entre outros. Constam como intérpretes de suas canções,
além do parceiro, artistas brasileiros, como Elis Regina e Simone, entre
outros, e internacionais, como George Benson, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald,
Carmen MacRae, Barbra Streisand e Quincy Jones.
http://www.dicionariompb.com.br/vitor-martins
Naquele
tempo o único e exaustivo trabalho do compositor era conseguir colocar o seu
trabalho com algum cantor. Menos de um mês depois, eu estava descendo as
escadas do meu sobrado no bairro do Mandaqui, a tv na sala estava ligada, na
época antes de iniciarem a programação as emissoras ficavam exibindo apenas as
barras coloridas e executando musicas e foi ali, nos degraus da escada, que pela primeira vez eu senti a rara emoção
de ouvir minha música tocando publicamente.
Em
pouco tempo a musica literalmente estava na boca do povo, no radio e em todos
os programas musicais da TV. Clube dos
Artistas, Almoço com as Estrelas, Raul Gil, Dárcio Campos, Chacrinha, Programa
do Bolinha, dentre outros.
A
música foi um verdadeiro sucesso, o radio tocava o dia inteiro e ela estava em
todos os programas de televisão, eu recebi direitos de mais de 200 mil cópias
vendidas incluindo-se as regravações, e a grana da execução também era boa,
mesmo com o método de arrecadação do ECAD não muito simpático aos artistas.
RENATO
VIVACQUA escritor,
historiador e pesquisador de MPB no seu artigo AIDS
(Acachapante Invasão Dominadora Sonora) tem cura? Em que aborda “A polêmica sobre a influência nociva ou não da
cultura alienígena que tem impregnado a tupiniquim” Os
americanos do norte, esses sim, é que penetraram insidiosamente, adoçando nossa
boca durante a Segunda Guerra Mundial com a tal “política da boa vizinhança” de
Roosevelt, e apertando o cerco depois do término desta. Antes disso, com o
advento da voz no cinema os basbaques nativos já começavam a papaguear em
inglês. Os compositores mais inteligentes estavam de olho no fenômeno e se
manifestaram. Noel Rosa, de maneira genial detectou e expressou no “Não Tem
Tradução”: O cinema falado / É o grande culpado / Da
transformação /Dessa gente que pensa./ Que um barracão / Prende mais que um
xadrez / Lá no morro Se eu fizer uma falseta / A Risoleta Desiste logo do
inglês e do francês.... “As Bandas Blacks ouriçaram durante algum tempo mas
dois ótimos sambistas estavam de olho nela: Wilson Moreira e Nei Lopes: Hoje só tem “discotheque” / Só tem som de
“black”/ Só imitação / Já não tem mais caixa de goiabada cascão. Voltaire
e Antonio Carlos também empunharam as armas em sua composição “Black Samba”: /na quadra da escola / O som tá diferente / Tá
pintando aí / A nova transação / O movimento é “black” / É som importação, iê,
iê, iê / Everbody, iê, iê, iê, alô brother / “Tamos aí” /É muito peso na barra
/ Fique sabendo entretanto /Não abro mão da poesia / Nem tiro o samba de campo.
“Na verdade, os defensores do samba são
guerrilheiros temíveis, que não param de mordiscar o calcanhar dos inimigos.”
Um
belo dia o Voltaire apareceu com o regulamento para a escolha de samba enredo
da Vai Vai e lá fomos nós fazer nossa
estreia na quadra da Orgulho da Saracura, o pessoal da escola é claro conhecia Black
Samba e apesar da musica ter um refrão em inglês era mais do que claro que nos
estávamos protestando e desfraldando a bandeira em defesa do samba. O enredo
era NA ARCA DE NOEL QUEM ENTROU NÃO SAIU
MAIS, o Rubens, compositor que também estava estourado com o samba-rock A BELEZA É VOCÊ, parceria dele com
BEBETO era ligado à escola e conhecia bem o gosto dos jurados quanto ao
andamento dos sambas, então nós entramos para a ala de compositores da escola
com um samba que não foi para a avenida, neste ano novamente quem emplacou foi
o Osvaldinho da Cuíca, o nosso samba dizia assim: Vai Vai já vem ai / é a bandeira alvi-negra/ da escola do povo/ vai vai
volta a cantar/ saudando um poeta popular/ na rua Teodoro da Silva/ lá em Vila
Isabel/nasceu o filho primeiro / de Marta de Medeiros e seu Manoel l Noel de
Medeiros Rosa / em seu nome a flor já trazia / que despertou pra ciência /porém
desabrochou / em rodas de boemia...
Foi uma experiência interessante mas vocês não
podem imaginar como é desgastante essa competição, é muita politicagem e o
samba acaba virando uma colcha de retalhos que tem como autores quase uma
sociedade anônima rss! É briga de cachorro grande!
Depois
não me lembro se no ano seguinte, o Voltaire me aparece com algumas anotações
para o samba TREZE REI PATUÁ, acho
que era esse o nome do enredo, pra Nenê de Vila Matilde, o mais curioso que a
ideia de fazer o samba foi levado à ele por um meu amigo de infância, o Viana,
a quem eu não via havia muitos anos, a gente foi criado junto mas depois cada
um tomou seu rumo e eu não soube mais dele até
aquele instante. Juntei o que eles haviam anotado do enredo e escrevi: joguem as cartas / vistam o traje de festa /
sorte no azar do bicho / três batidas na madeira / que o negocio é sambar / na
batida de um coração / nessa noite branca de festa / não há gato preto na rua /
nem figa rondando o luar / Xamã é a voz o som / que ilumina Yara feliz /também
tem a chave do cofre /que esconde o segredo da luz / olha o tempo que vai se
mexendo / salve o treze, rei patuá / Nenê hoje é dama de ouro /no jogo
brilhante deste carnaval!
Terminamos o samba e o Viana é quem iria para
apresentação, o clima de escola não era muito a minha praia e eu nem sei como
foi o esquema, só sei que também levamos chumbo na asa rsss!!
No mesmo ano, classificou-se em quinto lugar no Festival da Canção Popular do Município de Mauá (SP), com a música “Quero cantar o amor!”. Em 1977, gravou, com o cantor Franco, a música “Black Samba”, cujo disco vendeu cerca de 200.000 cópias.
Ainda com o cantor Franco, gravou a música “Bloco maravilha”, que foi inclusa na trilha sonora do filme “Meus homens meus amores”, protagonizado pela cantora Rosemary. Na sequência, gravou com JAIR RODRIGUES a música “Filha da filha da chiquita bacana!”, parceria com o cantore compositor BETO SCALA. A canção integrou a trilha sonora do programa “Xou da Xuxa”, exibido pela TV Manchete, entre os anos 1980 e 1990.
Com o cantor Beto Scala, fez sucesso com músicas como “Samba, futebol e paz”, considerada na época pela equipe de esportes da Rádio Globo AM como “o Hino das Torcidas”, “Arrepia my brother”, que foi tema transmissão da final do campeonato brasileiro de futebol em 1995, além de outras gravações, como “Coração sabe o que faz”, “Qual é a tua?” e “Sem censura”.
Em 2006, produziu grupos de samba para o CD “Vitrine do Samba”, no qual, como intérprete, gravou a música “Se segura muleke”. Em 2010, sua música “Quanto vale uma paixão”, parceria com São Beto, foi uma das 12 finalistas entre 541 musicas inscritas na 3ª Edição Festival da Alta Mogiana, realizado na cidade de Ribeirão Preto (SP).
Com a mesma música, classificou-se, em 2011, no Festival de Formiga MG.
Em 2014, sua música “Ciranda”, parceria com Tavinho Limma, foi a 2ª colocada no Festival de Piraí (RJ). Amesma musica foi classificada para os festivias de CRUZILIA MG, e CANTA LIMEIRA SP.
Em 2015, foi classificado no Festival da Canção de Andradas (MG), e no FENAC, considerado um dois maiores Festival do Brasil, com a musica “Quando”, composição sua com Dimi Zumquê.
Foi classificado para o festival CANTO POR TI CORINTHIANS em que defendeu a musica de sua autoria FLORISBELA.
Participou do Primeiro Festival de MPB da cidade de ATIBAIA SP.
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